Boletim - Agosto 2013

Fundação Energia e Saneamento

Memória

As transformações urbanas da cidade de São Paulo

Até o final do século 19, a cidade de São Paulo ainda apresentava traços coloniais, tanto na arquitetura como no desenho urbano. A introdução da cafeicultura em terras paulistas e a chegada de milhares de imigrantes na cidade foram decisivas para alterar esse panorama. São diversas as iniciativas que marcam as mudanças da São Paulo de 1890, que possuía 65 mil habitantes, para a de 1940, com 1,3 milhão de pessoas. Em menos de um século, a cidade passou a receber diversos investimentos em infraestrutura e foi testemunha da inauguração de uma estrada de ferro e linhas de bonde, da implantação de iluminação pública, de obras de pavimentação, além da efetivação de um plano de abastecimento de água e disposição de esgotos, com a construção de represas, reservatórios e estações elevatórias, entre outras ações.




A foto de 1900 revela o Largo de São Bento com a antiga capela do mosteiro, ainda em estilo colonial - mais tarde, a igreja seria reformada em estilo gótico.
Na imagem vê−se poste de iluminação a gás e passageiros à espera do bonde elétrico.




Conhecida como "Usina", a Estação Elevatória de Esgotos da Ponte Pequena
era responsável por levar os esgotos do Brás e da Mooca ao rio Tietê. Durante
a década de 1890, a rede de esgotos da cidade começou a ser estendida para
todas as áreas povoadas. Foto de 1901. Acervo Memória Sabesp


Com um importante acervo que registra essas mudanças, a Fundação Energia e Saneamento lançará, no dia 28 de agosto, o livro de fotografias Transformações Urbanas: São Paulo 1893 − 1940. A obra, que celebra os 15 anos da instituição, traz textos de especialistas, 179 fotos históricas e propõe um passeio por uma São Paulo antiga, evidenciando como as obras de infraestrutura foram decisivas para a sua transformação. Confira algumas dessas imagens, de Guilherme Gaensly, Pierre Doumet e Hugo Zanella. O livro traz ainda fotos inéditas de Raul de Almeida Prado.




O antigo Viaduto do Chá em 1910; à direita, o Teatro São José, demolido em meados da década de 1920 para a construção do prédio Alexander Mackenzie;
ao fundo, à direita, o Grande Hotel Rotisserie Sportsman, um dos primeiros hotéis de luxo da cidade que deu lugar ao edifício que hoje abriga
a Prefeitura de São Paulo; e à esquerda do viaduto, o Automóvel Clube, demolido na década de 1950 para a construção
do edifício Conde de Prates.




Fachada do Jockey Club de São Paulo, na Rua Bresser, na Mooca, após ser atingido por bombardeios durante a Revolução de 1924. Fundado em 1875, o Jockey foi o ponto de decolagem do primeiro vôo sem escalas entre São Paulo e Rio de Janeiro, realizado pelo comandante Edu Chaves em 6 de julho de 1914. Em 1941, o clube mudou−se para o bairro de Cidade Jardim.


Rio Pinheiros em sua configuração natural, antes de ser retificado por conta das intervenções realizadas pelo Projeto da Serra, empreendimento da Light da década de 1920. O projeto integrou grandes obras com o objetivo de captar água para gerar energia na Usina Henry Borden, em Cubatão (SP).

Rede Museu da Energia




Sobrado que serviu, por 90 anos, à prestação de serviços do setor elétrico em Itu e que hoje, restaurado, abriga o Museu da Energia. Foto de Caio Mattos


O sobrado de D. Ignácia

Desde 1908 ocupado por empresas ligadas ao setor elétrico, o sobrado que hoje abriga o Museu da Energia de Itu foi construído com uma função bem trivial: ser uma residência. Acredita−se que sua edificação remonte a meados do século XVIII ou início do XIX. Na época, teria sido erguido como uma casa térrea de taipa de pilão, que só receberia o segundo pavimento em 1847 − ano registrado na porta central. A residência foi reformada para receber D. Ignácia Joaquina Corrêa Pacheco, filha de um senhor de engenho com boa fortuna e que se mudaria para o local em virtude de seu segundo casamento. D. Ignácia era proprietária de vários imóveis e tinha reconhecida participação na vida econômica de Itu. Com seu falecimento, no início do século XX, o sobrado foi vendido e tornou−se sede da Companhia Ituana de Força e Luz. Em 1927, a Light assumiu a Cia Ituana e transformou o edifício em agência e loja no piso térreo e moradia para funcionários no andar superior. O primeiro agente da Light na cidade, Victorio Bombana, residiu no sobrado de 1931 a 1971, e o segundo, Henri Jean Panossian, de 1971 a 1990. O edifício foi doado à Fundação em 1998.



Caminhão da Cia. Ituana de Força e Luz e funcionários, incluindo o motorista
Luiz Ruivo, cerca de 1919. Coleção Waldomiro Moraes de Camargo


Agência da Light que funcionou no piso térreo do atual Museu da Energia de Itu. S.d.






Com a doação do sobrado à Fundação em 1998, foram realizadas prospecções arqueológicas no seu quintal para desvendar o cotidiano de seus primeiros
moradores. Na ocasião, foram coletados 3,8 mil fragmentos, entre eles,
artefatos cerâmicos.

Espaço das Águas


Fundação inaugura Espaço das Águas de Jundiaí

No dia 18 de julho, a Fundação Energia e Saneamento inaugurou o Espaço das Águas de Jundiaí, projeto desenvolvido para estimular o debate de questões relacionadas à gestão dos recursos hídricos e à responsabilidade socioambiental. O projeto ocupa uma sala do Museu da Energia da cidade e a exposição de estreia simula o traçado de um rio, dividido em quatro temas: Poluição da água e resíduos sólidos, Estação de Tratamento de Água (ETA), A Serra do Japi e as águas de Jundiaí e Água: bem estar e saúde. O Espaço das Águas de Jundiaí conta com patrocínio da Fundação Antonio−Antonieta Cintra Gordinho (FAACG).

Notícias


Cultura afro−brasileira é tema de ações na Rede Museu da
Energia em setembro


Em setembro, a Rede Museu da Energia promoverá uma série de atividades inspiradas na 7ª Primavera dos Museus, temporada de eventos organizada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) que comemora a chegada da próxima estação. Neste ano, a ação terá como tema "Museus, Memória e Cultura Afro−brasileira".

"Pichação e Grafitagem" é o tema proposto pelo Museu da Energia de Itu para uma série de debates sobre Educação Patrimonial, levantada a partir da cultura hip hop. O encontro, a ser realizado entre 24 e 26 de setembro na unidade, usará as pichações feitas na parede lateral do Museu para debater conceitos sobre patrimônio, arte, pertencimento, cultura e manifestações.

No dia 27, o Museu de São Paulo promoverá uma palestra sobre a importância das comunidades e movimentos afrodescendentes no processo de desenvolvimento da cidade.

Na unidade de Salesópolis, de 24 a 29 de setembro, a atividade "Raízes musicais e as energias que elas despertam" trará curiosidades sobre as canções e instrumentos musicais da cultura afro−brasileira.

No Museu da Energia de Jundiaí, o público poderá conferir apresentações de cortejo de maracatu com o grupo Tambores de Inkice e atabaques e cantigas com o Grupo Cultura Afro, além do monólogo "Navio Negreiro", interpretado por Patrícia Malitte, bem como a exibição de curtas−metragens na itinerância da 8ª Mostra MOSCA. Confira a programação completa dos Museus no site da Fundação Energia e Saneamento.


Exposição "Um Olhar sobre o
Brasil", com imagens do
acervo da Fundação, segue
para o CCBB de Brasília

Com imagens do acervo da Fundação Energia e Saneamento, a exposição "Um Olhar sobre o Brasil − a Fotografia na Construção da Imagem da Nação" segue, neste mês, para o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília. Realizada pelo Instituto Tomie Ohtake e Fundação MAPFRE, a mostra apresenta imagens de diferentes acervos públicos e privados com a proposta de refletir sobre 170 anos de história do país a partir do registro fotográfico. Todas as obras cedidas à mostra pela Fundação Energia e Saneamento são de autoria do suíço Guilherme Gaensly. A exposição permanece na capital federal até 20 de outubro.



De 1902, a foto de Guilherme Gaensly registra a colocação de trilhos
no centro de São Paulo, e é umas das selecionadas para a exposição.


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