Boletim - Outubro 2014

Boletim

Memória

Rio Pinheiros em fotos - a história do antigo Jeribatiba

Rios sempre foram um ponto de referência para o estabelecimento de povoamentos desde as primeiras civilizações. E em São Paulo, essa prática não foi diferente: a cidade surgiu e expandiu-se ao redor e, muitas vezes, sobre os seus rios. Para contar a história da Capital, é preciso conhecer como se deu a relação da cidade com o ribeirão Anhangabaú e os rios Tamanduateí e Tietê, por exemplo. Outro importante rio paulistano, o Pinheiros tem ganhado destaque na mídia com as obras do artista plástico Eduardo Srur, que objetivam tirar o curso da invisibilidade e conscientizar a população sobre a importância de sua recuperação. Mas nem só de intervenções artísticas viveu o Pinheiros: conheça, abaixo, um pouco da história do antigo "Jeribatiba", que chegou a ter o curso de suas águas revertido para a geração de energia.




Planta-chave do serviço de fotografia aérea realizado no Pinheiros em 1933, antes de sua retificação, revela toda a sinuosidade original do rio, que nasce
na encosta da Serra do Mar e deságua no Tietê

A Terra das Palmeiras Jerivás

Antes chamado de "Jeribatiba" ou "Jurubatuba" (em tupi-guarani, "lugar onde há muitas palmeiras jerivás"), o rio mudaria de nome com a criação, em sua margem direita, do aldeamento indígena Pinheiros, organizado pelos jesuítas quatro anos antes da fundação da vila de São Paulo de Piratininga (1560). Pioneiro, o agrupamento de índios localizava-se em uma região rica em árvores araucárias, chamadas popularmente de pinheiros-do-paraná. Rio de planície, o Pinheiros possuía grande sinuosidade e navegabilidade, sendo usado para o transporte de cargas. Ao longo dos séculos, em suas margens surgiriam sítios, fazendas, pontes e moinhos. Mas o seu entorno só abandonaria o caráter rural já no século 20, com a retificação.

Projeto da Serra

Em 1907, aconteceria a primeira grande obra na bacia do Rio Pinheiros: a construção da Represa Guarapiranga, com o objetivo de aumentar a vazão do Tietê e, por consequência, a capacidade de geração de energia da Usina de Parnaíba, responsável por abastecer a Capital com eletricidade. No entanto, a Light, empresa concessionária de energia à época, se veria às voltas com falhas na distribuição, em parte ocasionadas pelo aumento da demanda, com o crescimento da população, e do período de seca que seria registrado em São Paulo a partir de 1924.

Assim, em 1926 seria elaborado o Projeto da Serra, que previa a construção de uma barragem e usina hidrelétrica em Cubatão, ligadas de forma artificial ao Rio Tietê. E esta união só seria possível pelo "corredor" do Rio Pinheiros, que sofreria obras de canalização, retificação e recalque, alterando de forma permanente a sua paisagem natural. Executado entre 1937 e 1958, o empreendimento também incluiria a construção da Usina de Traição, capacitada para reverter o curso dos rios Tietê e Pinheiros e levar suas águas até o Reservatório Billings-Rio das Pedras, na encosta da Serra do Mar, para posterior geração de energia hidrelétrica na Usina de Cubatão, que em 1964 passaria a ser chamada de Usina Henry Borden.

Realizadas em torno de grande especulação imobiliária, as obras no Rio Pinheiros transformariam a região e trariam fôlego à expansão urbana da nascente metrópole. Sua retificação e canalização abriria espaço para a inauguração, na década de 1950, de um novo ramal da Estrada de Ferro Sorocabana; já em 1970, surgiriam as avenidas marginais. As intervenções do passado no Rio Pinheiros, hoje isolado e poluído, demonstram como a Capital precisa repensar sua relação com os rios, e trazê-los de volta ao cotidiano de seus moradores.

 




Região do Morumbi em 1933. A Fundação Energia e Saneamento detém um acervo de cerca de 650 lâminas e plantas-chaves
dos serviços de aerofotogrametria realizados na bacia do Rio Pinheiros entre as décadas de 1930 e 1950



Nestas imagens da mesma região do Morumbi, de 1949 (foto 1) e 1956 (foto 2), já é possível observar a transformação da paisagem, com o rio retificado
e suas margens ocupadas. À margem esquerda do rio, o Jockey Clube, inaugurado em 1941



Confluência dos rios Tietê e Pinheiros, em direção a Osasco. S.d.


Enchente do Rio Pinheiros no Sport Club Germânia, atual Esporte Clube Pinheiros. 1929



Construção da usina de recalque de Traição, situada no Canal
do Rio Pinheiros. S.d.


A retificação: primeiro corte do Canal do Rio Pinheiros em direção sul da
Avenida Cidade Jardim. No lado esquerdo, trabalhadores na margem do rio. 1936



Rio Pinheiros em direção Norte. 1960


Pinheiros hoje: grande concentração de poluição, numa tomada em direção ao Itaim Bibi. Acervo Memória Sabesp. Foto de Odair Faria

Rede Museu da Energia


Exposição fotográfica
revela universo particular
dos paulistanos


"O que as pessoas observam em uma cidade que não para?". É com esta provocação que o Museu da Energia recebe, a partir do dia 25 de outubro, a exposição fotográfica "Utopias: a cidade que eu quero ver".

Idealizada pela VIA CULTURAL - Instituto de Pesquisa e Ação pela Cultura, a mostra reúne 40 fotografias que revelam universos particulares de São Paulo registrados pelos próprios moradores da Capital, inspirados pela ideia de utopia e da ressignificação da cidade e seus espaços.

A seleção de imagens que compõem a exposição foi realizada a partir de um concurso cultural promovido nas redes sociais, convidando os paulistanos a pensarem na Cidade sob um olhar poético e marcarem suas imagens com a hashtag #utopiasp. A ideia foi de reunir visões múltiplas e cartográficas de São Paulo, apresentando o cotidiano da população por meio de fotos que capturem momentos inspiradores.

Instalada na área externa do Museu da Energia de São Paulo, "Utopias: a cidade que eu quero ver" seguirá aberta até o dia 29 de novembro, de terça a sábado, das 10 às 17 horas.



Imagens revelam olhar de paulistanos sobre o seu universo particular na Capital.
Foto de Jenifer Marques

Espaço das Águas


Fundação Energia
e Saneamento participa
do Festival Brooklinfest


No último sábado (18) e domingo (19), aconteceu a 20ª edição do Brooklinfest, festival de rua realizado no quadrilátero das Ruas Joaquim Nabuco, Barão do Triunfo, Princesa Isabel e Bernardino de Campos, no bairro do Brooklin, na Capital. Nos dois dias, a Fundação Energia e Saneamento promoveu no local uma tarde de autógrafos com Ricardo Araujo e Mariângela Solia, autores do livro "Guarapiranga 100 Anos", publicação recém-lançada pela instituição. A mostra itinerante "Guarapiranga: uma represa centenária" também foi exposta no evento.

Organizado pela AEMB - Associação dos Empreendedores e Moradores do Brooklin, o festival reúne mais de 200 atrações entre música, dança, teatro, circo, artesanato e gastronomia de diversas partes do Estado de São Paulo, além de exposições e exibição de filmes ao ar livre. O evento buscou como referência os festivais de rua realizados na Alemanha, como o Oktoberfest e as quermesses locais, tendo como proposta a convivência com a arte na construção da cidadania.



Fundação participa de festival no Brooklin que reuniu diversas atrações
culturais ao ar livre

Notícias

Museu da Energia de Salesópolis celebra mês da criança com atividades socioambientais

Para celebrar o Dia das Crianças, o Museu da Energia de Salesópolis realiza, até o dia 31 de outubro, a atividade "Jogo da Água". A ação educativa, voltada ao público infantil, será realizada ao final das visitas monitoradas ao Museu, que abriga uma das usinas hidrelétricas mais antigas do Rio Tietê.

No período, após a realização dos roteiros, os visitantes serão divididos em grupos e participarão de um quiz a respeito dos conteúdos abordados no passeio, que exploram as temáticas de rios, bacias hidrográficas, enchentes, afluentes e estiagem. "A ação tem como objetivo promover atividades extraclasses visando dar oportunidades de lazer, sociabilidade educativa e consciência ambiental às crianças", explica o educador Fernando Maia.



Após visita guiada pelo Museu, estudantes poderão participar da
ação educativa "Jogo da Água". Foto de Caio Mattos


Campanha nas redes sociais celebra 15 anos do Museu da Energia de Itu


No dia 14 de dezembro, o Museu da Energia de Itu completa 15 anos. Para celebrar o aniversário de sua unidade museológica mais antiga, a Fundação Energia e Saneamento promove, na página do facebook da Rede Museu da Energia, a campanha "Memórias no Museu", convidando o público que visitou a unidade a postar nas redes sociais, com a hashtag #museuenergiaitu, fotos e depoimentos sobre sua passagem pelo espaço nesses 15 anos de funcionamento.

Durante o mês de aniversário, o Museu promoverá diversas ações educativas especiais, além de inaugurar a exposição inédita "A iluminação pública segundo os ituanos", que apresentará o processo de implantação e inauguração da iluminação pública em Itu sob a perspectiva das notícias veiculadas nos extintos jornais locais "República" e "Cidade de Ytu", que circulavam no período, além da obra do jornalista e historiador ituano Francisco Nardy Filho, publicada nas primeiras décadas do século 20.



Museu da Energia de Itu completa 15 anos de funcionamento em dezembro.
Foto de Caio Mattos

ERRAMOS: Na edição anterior deste boletim, na seção "Memória", foi publicada, erroneamente, uma imagem que seria da Usina Nova Avanhandava, no Rio Tietê. Trata-se, na verdade, de uma imagem da UHE Euclides da Cunha, no Rio Pardo. A imagem correta da UH Nova Avanhandava pode ser conferida aqui


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